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Showing posts from January, 2025

Sou um snobzinho da Criterion, para que linha devo ligar?

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Sim, confesso, a ligação que mantenho com a Criterion Collection, enquanto fã, desde o ano 2000, é daquelas coisas que despertou o maior monstro de snobismo de que me lembro em mim. Sei que o ano era 2000, porque foi nessa altura que a Criterion lançou a antologia de videoclips de Beastie Boys. Título esse que surtiu um enorme impacto pela originalidade e diversidade dos extras (alguns desses interactivos até) e naturalmente pela videografia de facto fantástica e vanguardista dos Beastie Boys (de quem dei por mim a desconfiar ultimamente por já dificilmente suportar o registo guinchado do Ad-rock). Mas o melhor é mesmo não falar muito mais da minha relação actual com os Beastie Boys ou ainda acabo a noite a receber ameaças de morte.  O que eu queria mesmo dizer é que a qualidade de brinquedo fantástico que esse meu primeiro DVD Criterion tinha, levou-me daí em diante a apostar em mais títulos da Collection (que ninguém deve duvidar ser a mais rica e ampla do mundo). A curadoria da ...

Burial, Lynch e s&m num só mergulho nocturno

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  “I saw the light, man… it burns, forever”. Nunca esquecer que são estas as palavras que abrem o álbum “Untrue” do Burial, que as samplou de uma cena do “Inland Empire”, um dos mais incompreendidos filmes do Lynch (e também um dos seus mais hipnóticos). A mesma intro do Burial sampla a soundtrack do “Metal Gear Solid 2” num momento em que alguém (o protagonista Snake?) mergulha de uma ponte no vazio. A chama referida no sample pode representar muita coisa, claro, mas neste caso associaria-a àquela esperança de que em qualquer altura do mergulho no vazio (ou num infinito de ideias) seremos salvos (por quê exactamente? Isso só o coração de cada um é que sabe).  O que o Burial nos seus álbuns e o Lynch nos seus filmes nos convidam também a fazer é que arrisquemos dar esse mergulho num vazio onde tudo pode acontecer (por via da imaginação) e lhes confiemos a atenção durante a duração dessas obras. De modo semelhante, um jogo como o “Metal Gear Solid 2” incita-nos muitas vezes a q...

Porquê voltar a 2009 em 2025?

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Depois de uns poucos minutos a tentar encontrar a resposta mais sincera para a pergunta colocada no título, ocorreu-me que essa virá só mais tarde à medida que este blogue ganhe vida (ou não) através de novos posts, direções, fórmulas, surpresas. Comprar uma planta é relativamente fácil. Cultivá-la e dar-lhe tempo e amor é que é mais difícil. Confesso que há já algum tempo sentia vontade de criar um qualquer espaço onde pudesse desenvolver reflexões, ideias e o que seja de um modo mais prolongado. Dado que esse tipo conteúdo não me parece ter encaixe nas auto-estradas das redes sociais, voltei uns bons anos atrás no tempo e decidi criar um novo blogue (e estreá-lo com um post cujo tom provavelmente terá qualquer coisa de avô Abe Simpson). A partir de agora quem tiver qualquer tipo de interesse em sentar-se à minha (nossa?) mesa, na grande esplanada da internet, pode simplesmente escrever a morada do blogue no seu browser e cá estaremos. É óbvio que fazer esse desvio para passar por est...