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De Houston ao Regueirão dos Anjos: questões de ego e humildade

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  Lembro-me muitas vezes do ar perfeitamente sereno que o Iniesta (meio-campista histórico do Barcelona e da Seleção Espanhola) exibia ao ser entrevistado, ainda no relvado, logo após ter conquistado o Campeonato do Mundo de 2010, na África do Sul. A humildade na sua postura era de tal modo constatável, que mais parecia que o Iniesta tinha salvo o gato da vizinha, ao tirá-lo de uma qualquer árvore, em vez de ter conquistado um dos mais cobiçados troféus à face da terra. Alguém, ao vê-lo na televisão, podia simplesmente achar que ali estava um zé qualquer que tinha ido ali parar ao topo do mundo por acaso.   O controlo emocional que Iniesta mostrava na entrevista seria no fundo a extensão da segurança que demonstrava dentro de campo (enquanto grande jogador que era). Transmitia a sensação de uma pessoa coerente na postura dentro e fora do relvado, sem muito tempo para dar ao vedetismo ou à necessidade de auto-afirmação. Estava ali como parte da equipa e não para ser o rosto que...

Desconfia dos teus ídolos (ou “esta segunda vida promoconceptual do Halloween começa a dar-me dores de cabeça...”)

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Desconfio sempre do sagrado. Por mais que adore determinado artista, não sinto que isso deva anular a minha tendência natural para questionar quem sigo atentamente. Acredito aliás que devemos ser especialmente exigentes com quem mais admiramos, em vez de cair num deslumbramento que muitas vezes é só mesmo sinónimo de adormecimento (ou envelhecimento) do pensamento (estou a soar a Sam the Kid nesta frase...). Acho sempre alguma graça quando alguém decide dizer muito casualmente que “Todas as canções do David Bowie são excelentes” ou que os Clash foram brilhantes em tudo o que nos deixaram. Nem sequer tenho qualquer implicação com essas duas instituições, mas, se aprofundarmos um pouco a questão, rapidamente percebemos que talvez não seja bem assim. Se o Axl Rose tinha aquela t-shirt icónica com a figura de Cristo e a frase “Kill Your Idols”, eu nesta altura talvez devesse usar uma com o stencil do Halloween e a frase “Doubt your Idols” (“desconfia dos teus ídolos”).   E se desconfio...

o dia pode até estar frio e eu meio rezingão, mas chega a hora da colagem e sou bué feliz

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novos sketches feitos naquela app

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facesitting

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Motorola phone I ain’t goin home

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Que sa foda. Há tanta sugestividade e drama nos primeiros 36 segundos de “Drive By” do Peep e, mesmo assim, todo aquele feeling é mesmo de “que sa foda”. Os motores das motas já aqueceram, vai rolar e vai haver um que cai, tá tudo all-in, que sa foda. Há por acaso dois “estalos” (o ruído do rater?) que se ouvem apenas nos primeiros sons do aquecer do motor que, por serem meio inexplicáveis, passam a ser - vá lá - incómodos. Incómodos como uma noite que cheira a merda por acontecer. Incómodos como um fantasma à espreita.   Pá, e, pouco depois dos 30 segundos, o primeiro verso “Motorola phone I ain´t goin home” parece a tatuagem perfeita nas costas dessa brilhante introdução de “Drive By” (excelente título também para somar ao mood). O loop white nosey lá atrás já está em perfeita vertigem há algum tempo, umas pouquíssimas palavras já foram ditas e o rugir dos motores completam toda esta fortíssima atmosfera sonora.   Este filme já só precisava de uma grande line abaixo do títul...

Sobre o amor por filmes que me fazem chorar a rir

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Adoro um bom filme que me faça chorar, mas gosto mais de um que me faça chorar a rir. Quanto ao que me faz normalmente rir, tenho o defeito (ou feitio) de muitas vezes preferir encontrar essa matéria onde é menos provável que apareça. Adoro quando o humor surge inusitadamente, como que aos trambolhões onde não era suposto. Muitas vezes isso funciona como um alívio enorme depois de várias horas mais ou menos aborrecidas. Essa fixação no humor inesperado acabou sobretudo por recair nos filmes que me fazem rir sem ser essa a intenção de quem os criou. Não é muito fácil explicar que, mesmo adorando rir com filmes, só muito raramente veja comédias (vejo uma em cada vinte filmes talvez), mas aqui fica este texto para tentar esclarecer isso mesmo. Aproveito já agora a oportunidade para pedir desculpas às pessoas amigas que, com muito cuidado, me recomendam séries e filmes de comédia deste novo século. Tenho a certeza de que andarão por aí opções excelentes (porque também adoro “South Park”), ...