Motorola phone I ain’t goin home



Que sa foda. Há tanta sugestividade e drama nos primeiros 36 segundos de “Drive By” do Peep e, mesmo assim, todo aquele feeling é mesmo de “que sa foda”. Os motores das motas já aqueceram, vai rolar e vai haver um que cai, tá tudo all-in, que sa foda. Há por acaso dois “estalos” (o ruído do rater?) que se ouvem apenas nos primeiros sons do aquecer do motor que, por serem meio inexplicáveis, passam a ser - vá lá - incómodos. Incómodos como uma noite que cheira a merda por acontecer. Incómodos como um fantasma à espreita. 


Pá, e, pouco depois dos 30 segundos, o primeiro verso “Motorola phone I ain´t goin home” parece a tatuagem perfeita nas costas dessa brilhante introdução de “Drive By” (excelente título também para somar ao mood). O loop white nosey lá atrás já está em perfeita vertigem há algum tempo, umas pouquíssimas palavras já foram ditas e o rugir dos motores completam toda esta fortíssima atmosfera sonora.  Este filme já só precisava de uma grande line abaixo do título: “Motorola phone I ain’t goin home”. Está o quadro completo: “Drive By” não só é um total banger, como também é uma grande prova do enorme poder evocativo da música. 


Eu nem acho “HELLBOY” o conjunto de canções mais coerente ou equilibrado do mundo (pensando - como velho que sou - em álbuns), mas “Drive By”, “Cobain” e “Nose Ring” é trio de bangers capaz de ombrear com os de muitos dos meus álbuns favoritos no hip-hop (sei lá, tipo “93 til infinity” dos Souls of Mischief ou “shadow of a doubt” do Gibbs). Porque é de hip-hop que se trata no fundo, certo? Bem sei que uns quantos puristas afastarão “HELLBOY” do hip-hop por ser descaradamente emo e super bubblegum, mas quero lá saber disso. Caguei nos purismos. São aborrecidos e fechados. Voltar a casa é muito bonito, mas uma vez ou outra também é exciting as fuck fechar a porta, ligar o motor e não saber bem quando se volta (ou se se volta). Que sa foda. 

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