Divagações e apontamentos sobre “Xenonexo” I - Conan Osiris > Christopher Nolan


 

Só mesmo ele para beefar sozinho mais de meio país (um país inteiro?). “Xenonexo” não tem feats e nem precisa deles. Ele sabe. Eu até entendo as discussões sobre as opções estéticas do Conan Osiris, mas já ninguém me desvia de acreditar que isto é música absolutamente relevante nas narrativas culturais do país. Confesso que já andava meio agastado com a espera pelo sucessor do “Adoro bolos”, mas já tenho a certeza de que valeu a pena toda esta espera pelo épico que é “Xenonexo”, o meu favorito dos discos do Conan Osiris. 


Hoje vi pela primeira vez o trailer de “The Odyssey”, o próximo filme do Christopher Nolan, e pensei:”Que trailer frouxo… Se já dificilmente iria ver isso, então agora ainda menos”. Nada mais fácil que gerir as expectativas pelo próximo Nolan quando elas são praticamente inexistentes. Soubesse eu que o Conan Osiris tinha um disco de vinte faixas por lançar e ouvisse apenas uns poucos excertos, e eu acho que até sonhava com o disco antes de o escutar. Em termos das expectativas que em mim criam, o Conan Osiris mete o Nolan num chinelo. 


Seria preciso recuar até “The Dark Knight Rises” para me recordar da última vez que o Nolan conseguiu tocar-me com uma grandeza comparável à de “Xenonexo”. Há qualquer coisa neste regresso que soa a ajuste de contas há muito adiado que me deixa embasbacado e a escrever textos sobre o disco quando já devia estar a dormir. Se a destreza lírica de Conan Osiris já era notável em “Adoro Bolos” (ouvir "Celulite"), neste “Xenonexo” o seu herói parece quase um ninja na rapidez alucinante como distribui jogos de palavras e fruta (dicas) um pouco por toda a parte. Quase se ouve o som do “mic drop” quando “Xenonexo” termina.  


Se, num RPG, o Conan Osiris de “Adoro Bolos” estivesse em determinado level, encontramo-lo agora com esse level pelo menos no dobro. No papel, “Xenonexo” pode ter só mais 15 minutos do que “Adoro Bolos” (e quase o dobro das canções), contudo no coração já me ocupa o triplo do espaço do disco que catapultou Osiris. Temos ainda tanto para falar sobre o amor intenso que vai ser “Xenonexo”.

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