Divagações e apontamentos sobre “XENONEXO” II - Novela, pimba e Instagram. Fuja mesmo sff.



Quando a “FUJA MESMO SFF” já estava a bater há alguns dias (e não tem parado de bater), eu pensei qualquer coisa como:”Esta canção deve falar com as pessoas de maneiras muito diferentes. No fundo cada uma tem a sua droga e a sua forma de lidar com este apelo. Na volta a mim a canção estará a tentar aconselhar-me a que fuja do Instagram em 2026. Que me desligue dessa droga”. Muito bem, esse apelo que chegou com o impacto da “FUJA MESMO SFF” ajudou a moralizar-me para largar o Insta e produzir mais 2 horas por dia (numa altura em que o adoro fazer), e até mesmo melhorar a minha saúde mental. Esse compromisso durou a primeira semana de 2026… Desculpa, Conan.


O Insta, mesmo com os 70% que me aborrecem e perturbam, preserva ainda assim uns 30% de novela / reality show que me interessa acompanhar. Por algum motivo esses 30% têm um magnetismo comparável ao da primeira era de ficção que me marcou e agarrou: ali algures entre 87 e 93, primeiro com novelas brasileiras que adorei e depois com o “Twin Peaks” (que acaba por ser uma novela / soap à sua estranha maneira). Como sei eu largar a droga fortíssima nesses 30%? 


A ideia de estar dependente de algo é um recurso dramático muito valioso e por isso aparece vezes sem conta em novelas. A música pimba tem naturalmente muito de novela e um número infindável de canções interessantes sobre o consumo de drogas. Ocorre-me como uma das minhas favoritas é a muito emblemática “Toxicodependente recuperado” de Mário Jorge (um dos filhos do falecido Crispim). O Conan Osiris entende bem os códigos do pimba (até porque cresceu com o género em vez de o ir buscar porque dava jeito) e isso terá certamente ajudado a que “FUJA MESMO SFF” seja o primeiro grande banger de “XENONEXO” (que tem mais) e um ótimo acrescento ao cânone da canção de tema narcótico cantada em português (pessoalmente nesse campo tenho um amor muito especial pela “Ser jovem sem droga” da super band Heróis do Rock).


Como tantas outras faixas de “XENONEXO”, “FUJA MESMO SFF” consegue muito bem encontrar expressão para feelings algo fáceis de descrever (mágoa, repugnância) e, nas suas nuances, sugerir outros feelings que obedecem a uma lógica que só o próprio Conan saberá explicar (nada o obriga nem tem de ter a pachorra para isso). Nos feelings de “XENONEXO” que consigo identificar de forma mais nítida o Conan satisfaz, ao mesmo tempo, o meu apetite por novela, pimba (mesmo que a canção não seja pimba per se) e a novela que há no pimba. Gosto especialmente disso por não ter de levar com reels de homens absolutamente detestáveis pelo meio. Nada me mata a vibe enquanto estou a ouvir “XENONEXO”.  

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