Como acabaram os Nirvana e como podiam ter acabado os Deftones
Falávamos hoje aqui nos stories de perfeitos últimos capítulos de discografia, que deixavam no ar algo de mágico e sagrado. Eu trouxe uns poucos e vocês complementaram com umas poucas sugestões das quais tirei alguns apontamentos. Obrigado. Nessas contas é natural que tenha pensado logo no “In Utero” de Nirvana (estou a falar de álbuns). O “In Utero” naturalmente que tem mil qualidades e a sua banda na máxima força, mas não me venham dizer que é um disco equilibrado. Na minha cabeça infelizmente o “In Utero” passou a ter uma metade melhor e uma metade pior. E a meu ver a parte melhor é a das malhas mais noisy e pesadas, enquanto a pior será a das canções mais acomodadas e que pudessem provavelmente agradar mais à Geffen e executivos de gravata.
E reparem que eu tenho zero problemas com bandas terem discos mais cheios de temas radio friendly (como os Blur e os Weezer, por exemplo). O meu problema incide no facto de, após ter escutado o “In Utero” centenas de vezes (em 32 anos!!), o meu corpo e cabeça possam já não ter a mesma frescura e paciência para canções com algo que me soa saturante. É por adorar os Nirvana que sou tão exigente com eles. Se fosse Red Hot estava-me bem a cagar se ouvisse um álbum e fossem todas uma merda (perdoem-me a verve escatológica de hoje).
Nem sequer me apetece a esta hora fazer as contas faixa a faixa, mas não me sai da cabeça essa divisão entre metade melhor e pior (seis faixas para cada lado). Ya, eu sei que o disco tem uma faixa extra daquelas escondidas na versão tal. Mas essa é tipo uma desbunda com grande moca off álbum para atiçar novas compras do mesmo álbum, curiosos e etc.. Essa não conta. Por alto ,eu colocaria na sombra do “In Utero” a sua faixa mais descartável “Rape Me” (e isto nada tem a ver com o assunto sério na sua letra, atenção) e depois, num só pack, a “Dumb”, “Pennyroyal Tea” e “All Apologies”. Num dia em que esteja com o ouvido mais cínico posso muito bem desconfiar dessas, e, a partir daí, juntar uma ou todas ao conjunto dos “skips naturais” de uma escuta do álbum inteiro. Ya, uma escuta e não várias, porque os tempos de “In utero” inteiro em repeat já lá vão…
No fundo acho que me agrada mais ouvir os Nirvana nos momentos eu que soam mais desamarradas (ou totalmente desnorteadas) de obrigações perante a Geffen e outros compromissos para com a máquina de negócio em redor da banda por essa altura. Dá-me mais pica, faz-me sonhar com mais malhas ruidosas. Depois de dito tudo isto que fique bem claro que adoro o “In Utero” e que para todos os efeitos acabo por achá-lo um disco que pode muito bem entrar no quadro dos tais últimos álbuns mágicos, que terminam percursos discográficos no peak.
Depois dos Nirvana pensei também nos Deftones e imaginei como seria se terminassem com o “Private Music”. Não gostei muito do que imagineii e agradou-me muito mais a ideia de fecharem discografia com o anterior “Ohms”. O “Ohms”, mesmo sem ser o melhor de Deftones (título esse sempre em aberto), tem “Headless” e é um disco sexy e misterioso. Lá está, mágico. O “Private Music”, por enquanto pelo menos, não tem tanto que me faça pensar nele como grande disco de saída de cena de uma banda. Não o acho sexy ou especialmente misterioso. Mas sobre os discos de Deftones vamos falando semanalmente pelas 20:00, já a partir da próxima segunda-feira 26, na Rádio Quântica https://www.radioquantica.com/, pois é esse o dia da estreia do podcast “My Own Paleio (Sa foda)” co-apresentado com o bro Bruno Silva (Ondness), Bertrand no comando técnico e a voz da Sofia Penafore no genérico e jingles.
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