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A “Milk of the Madonna” é fantástica e o verão de 2025 está irresistivelmente hot

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Confesso que estava ligeiramente preocupado com as primeiras peças reveladas do quadro maior que haverá de ser “Private Music”, o próximo álbum de Deftones a ser lançado a 22 de Agosto. O primeiro single “My Heart is a mountain”, que por enquanto não me merece mais do que um “meh”, não me enchia de todo as estribeiras de quem espera que os Deftones abram os seus discos com grandes malhas. Estamos a falar de uma banda que tem uma colossal e muito emblemática abertura com “My Own Summer (Shove it)” no “Around the Fur” (aquele “tum tááá” da bateria parece o som da caixa de Pandora a abrir) e que mais tarde nos deu a explosão de “Diamond Eyes”, o extase imediato de “Swerve City” e recentemente a brilhante e quase Carpenteriana introdução atmosférica de “Genesis”.   “My heart is a mountain” não tem qualquer manobra para competir com qualquer uma dessas por um único e crucial motivo: parece uma daquelas canções que uma qualquer banda a imitar os Deftones conseguiria, com algum esforço, c...

Cinco malhas de Sonic Youth em que a Kim Gordon basicamente manda nesta merda toda

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Tenho ali algumas encomendas da Vinted por embalar e despachar, mas isso pode muito bem esperar se a prioridade for a Kim Gordon. Não tenho qualquer dúvida de que a Kim Gordon é e sempre será maior que a Vinted. Aliás, a Kim Gordon chega para meter no chinelo grande parte das bandas de dude rock que o Álvaro Covões traz até ao seu circo, em Algés, a cada ano.   Espero - pelo amor da santa - que os Sonic Youth jamais se voltem a reunir a jeito de aparecerem por aí num Alive ou inferno semelhante. Aos Sonic Youth admito quase tudo excepto um regresso nostálgico para amealhar dinheiro com o mito e a saudade. É na boa que o último concerto que deram no Coliseu de Lisboa não tenha - acho eu - incluído uma única faixa dos anos 90 (que me é especialmente querida), quando é evidente que esse foi um período pujante e sólido na discografia dos Sonic Youth. Hoje até consigo gostar mais dos devaneios beat e arty urbanos do “NYC Ghosts & Flowers”, mesmo que, na altura, fosse um decepcionant...

Apontamentos freestyle sobre canções: "Lovesong", Adele

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Só hoje ouvi esta versão que a Adele fez para a “Lovesong” dos Cure. Nunca me decidi muito bem sobre o que achar da Adele e só a escuto acidentalmente, com excepção da “Skyfall” (muito por causa da grave pancada que tenho pelo tom épico das canções que abrem os filmes da série James Bond). A versão que a Adele faz do original dos Cure relembra-me aliás de alguns motivos pelos quais não atino muito com a cantora britânica: associo-a normalmente (e talvez por desconhecimento) a fórmulas demasiado fáceis para consumo massivo (e aqui é isso que acontece) e a sua voz pode atingir este e aquele tom, embora falhe quase sempre o alvo do meu coração (o juiz que tenho para a música mais romântica). A Adele não me toca.   Na rendição que faz da “Lovesong”, a voz da Adele percorre alguns dos seus lugares mais previsíveis e reconhecíveis, mesmo que isso acabe por não favorecer ou prejudicar a canção em si. O que aqui se escuta é só mesmo a Adele a cantar a partir da prisão da sua própria fórmul...

Relato de um atropelamento em que a viatura foi o terceiro episódio de “Euphoria”

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Eu chego sempre atrasado aos fenómenos. Tantas vezes, em conversas sociais, acho que toda a gente viu o cometa passar na noite passada menos eu. Existem fenómenos de gigante popularidade para os quais nunca encontrei tempo só mesmo porque nunca calhou. Nunca vi, por exemplo, “Game of Thrones” ou “Breaking Bad” sobretudo porque nunca encontrei o tempo para tal, e não porque me parecem, à partida, dispensáveis. Eu nem acabei ainda sequer a terceira season (event series) de “Twin Peaks”… A culpa só pode ser da falta de tempo. Portanto tanta merda só para dizer que só agora estou a ver “Euphoria”. Adoro por vezes partir algo acidentalmente para as séries, porque é a melhor maneira de ser surpreendido. Foi tão maravilhoso quanto doloroso cair no caldeirão de “Euphoria” por sugestão de uma amiga que sugeriu vermos a série. Sendo que estou bem longe de saber muito sobre séries (a minha praia é mesmo filmes), seria só mesmo uma parvoíce total eu vir para aqui falar das melhores de todos os tem...

1 de 1001 maneiras de amar a “everyday” de Yo La Tengo

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Ainda esta semana, na roleta russa do chat do Instagram, um bacano meteu uns stories sobre drone music e depois ficámos a falar de drones. Dois gajos a falarem de drones na internet. Desculpem-me se este post não tem o início mais animador…   Mas, ya, concordámos numas cenas e depois falámos do que faz do drone um drone, etc. Não sei muito bem, até porque estou muito longe de ensinar alguma coisa na matéria. Sei só mesmo que um excelente drone benigno para mim tem de, a certa altura, me fazer querer muito que esse dure para sempre. Por outras palavras: o tipo de drone que amo faz-me, nem que por momentos, querer viver para sempre na sua frequência.   Posto isso, eu nem sei quanto a “Everyday” de Yo La Tengo pode ser associada a drone music ou nada dessas cenas técnicas, mas várias vezes apetece-me que algo de muito mágico que tem nunca mais termine. Por mais vezes que a escute, acho que nunca percebi bem se me leva por coisas boas ou más. Nunca li a letra da música também e ai...

Sou um snobzinho da Criterion, para que linha devo ligar?

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Sim, confesso, a ligação que mantenho com a Criterion Collection, enquanto fã, desde o ano 2000, é daquelas coisas que despertou o maior monstro de snobismo de que me lembro em mim. Sei que o ano era 2000, porque foi nessa altura que a Criterion lançou a antologia de videoclips de Beastie Boys. Título esse que surtiu um enorme impacto pela originalidade e diversidade dos extras (alguns desses interactivos até) e naturalmente pela videografia de facto fantástica e vanguardista dos Beastie Boys (de quem dei por mim a desconfiar ultimamente por já dificilmente suportar o registo guinchado do Ad-rock). Mas o melhor é mesmo não falar muito mais da minha relação actual com os Beastie Boys ou ainda acabo a noite a receber ameaças de morte.  O que eu queria mesmo dizer é que a qualidade de brinquedo fantástico que esse meu primeiro DVD Criterion tinha, levou-me daí em diante a apostar em mais títulos da Collection (que ninguém deve duvidar ser a mais rica e ampla do mundo). A curadoria da ...

Burial, Lynch e s&m num só mergulho nocturno

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  “I saw the light, man… it burns, forever”. Nunca esquecer que são estas as palavras que abrem o álbum “Untrue” do Burial, que as samplou de uma cena do “Inland Empire”, um dos mais incompreendidos filmes do Lynch (e também um dos seus mais hipnóticos). A mesma intro do Burial sampla a soundtrack do “Metal Gear Solid 2” num momento em que alguém (o protagonista Snake?) mergulha de uma ponte no vazio. A chama referida no sample pode representar muita coisa, claro, mas neste caso associaria-a àquela esperança de que em qualquer altura do mergulho no vazio (ou num infinito de ideias) seremos salvos (por quê exactamente? Isso só o coração de cada um é que sabe).  O que o Burial nos seus álbuns e o Lynch nos seus filmes nos convidam também a fazer é que arrisquemos dar esse mergulho num vazio onde tudo pode acontecer (por via da imaginação) e lhes confiemos a atenção durante a duração dessas obras. De modo semelhante, um jogo como o “Metal Gear Solid 2” incita-nos muitas vezes a q...